Características do Meio

Caracterização do meio envolvente

A história do concelho de Cabeceiras de Basto remonta a épocas pré-românicas pela existência de vestígios castrenses e construções dolménicas. As inscrições romanas encontradas nas ruínas do Mosteiro de Santa Comba, em Refojos, e no lugar de Pereiro de St.ª Senhorinha, bem como o aparecimento de estátuas de guerreiros, objetos de cerâmica e moedas de prata do tempo do Imperador Augusto e de bronze do Imperador Galiano, dão-nos uma indicação de se tratar de um povoamento muito antigo. Com efeito, o primeiro povo que deu nome à região foram os “Bástulos” ou “Bastianos”, oriundos da Andaluzia, que, ao passarem por estas terras, fundaram uma cidade chamada “Basto”, localizada próximo do Mosteiro de St.ª Senhorinha, mais tarde destruído pelas invasões árabes.

Inserido nas “Terras de Basto”, juntamente com os concelhos de Celorico de Basto, Mondim e Ribeira de Pena, Cabeceiras de Basto é um concelho localizado à beira-Tâmega, numa área de transição que é, naturalmente, condicionada pelas influências do Atlântico e do nordeste transmontano. É limitado a norte pelas serras da Cabreira e do Barroso, a oeste pela serra da Lameira, a este e sudeste pelas serras do Alvão e do Marão.

Trata-se de uma vasta circunscrição administrativa, na bacia média do Tâmega e já em 1258 estava organizada em três julgados: o de Cabeceiras, o de Celorico e o de Amarante. Quanto ao nosso concelho, a sua formação está documentada já no século XI. Entre os séculos XI e XVI, é praticamente inexistente a documentação escrita sobre Cabeceiras de Basto, salientando-se, apenas, a carta de Couto que, em 1131, D. Afonso Henriques assinou a favor do Mosteiro. Haveria ainda outra Carta de Couto, dada no reinado de D. Sancho I, à povoação de Basto. Há ainda referências a uma concessão que D. João I teria dado a D. Nuno Álvares Pereira, em Cabeceiras de Basto, mais precisamente em Pedraça. Embora se tratasse de uma povoação antiga e que gozava de grande prosperidade, como atesta o Mosteiro de S. Miguel de Refojos com origem no ano 670, outrora o mais rico do Minho, só a 5 de outubro de 1514 é que Cabeceiras de Basto vê criado o concelho com o foral de D. Manuel I.

Desde junho de 2006, o nosso concelho insere-se na sub-região do AVE, no que diz respeito ao NUT III, na região norte de Portugal, deixando assim de fazer parte da unidade geográfica do Tâmega para passar a integrar a unidade geográfica do Ave.

Este concelho faz parte do Distrito de Braga e ocupa uma área territorial de 241 km2, com uma população de cerca de 16 710 habitantes (segundo dados estatísticos de 2011) que se espalham pelas seguintes freguesias: Abadim, União das freguesias de Alvite e Passos, União das freguesias de Arco de Baúlhe e Vila Nune, Basto (St.Senhorinha), Bucos, Cabeceiras de Basto (S. Nicolau), Cavez, Faia, União das freguesias de Gondiães e Vilar de Cunhas, Pedraça, União das freguesias de Refojos de Basto, Outeiro e Painzela e Riodouro.

A população de Cabeceiras de Basto dedicava-se, principalmente, a atividades do setor primário, embora, nos últimos anos, se tenha verificado um aumento da população ativa nos setores secundário e, particularmente, no terciário básico. O desemprego é, hoje, uma realidade bem visível no nosso concelho. Com efeito, as principais fontes de riqueza deste concelho são o vinho verde, o milho, o azeite e a pecuária com destaque para as raças bovinas autóctones, designadamente a barrosã e a maronesa. No brasão do concelho, existem elementos associados à atividade económica desta região, nomeadamente à caça, à pesca, à vinha e ao mel.

Existem, ainda, outros recursos que contribuem para o desenvolvimento de Cabeceiras de Basto, como por exemplo, a floresta, o turismo rural e a montanha. Além disso, esta região possui, também, um artesanato rico e variado: a tecelagem (o linho e a lã), a cestaria, a tanoaria, a tamancaria e a latoaria. Relativamente às principais especialidades gastronómicas da região, salientam-se a carne de vitela, os enchidos, o bacalhau com batatas a murro, os rojões à moda do Minho, as papas de sarrabulho e doces variados.

As feiras, as festas, as romarias, o folclore e os jogos tradicionais revelam a etnografia do nosso povo bem patente na anual Feira de S. Miguel, que constitui um momento importante na vida do concelho. O monumental e imponente Mosteiro de S. Miguel de Refojos, a estátua antiquíssima de granito, “O Basto”, e a já referida Feira de S. Miguel, são os motivos que, tradicionalmente, tornam conhecida a vila e o concelho.

O nosso município, devido à sua interioridade, debate-se com problemas de desemprego, desertificação e envelhecimento da população, sendo que a nossa mão-de-obra trabalhadora apresenta uma baixa especialização e formação profissionais.